Portugal quer influenciar políticas científicas europeias

Portugal quer influenciar as políticas científicas europeias e “ajudar o debate” sobre a melhor forma de financiar a ciência na próxima década, disse o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Manuel Heitor falava a propósito da conferência “The Gago Conferences on european science policy” que junta na sexta-feira em Viena, Áustria, meia centena de governantes, cientistas e dirigentes das mais importantes organizações de ciência da Europa, como o CERN, a Agência Espacial Europeia ou Euroscience, numa iniciativa portuguesa em conjunto com a presidência austríaca da União Europeia.

A conferência homenageia o antigo ministro José Mariano Gago, que morreu há três anos, mas será também um momento de reflexão sobre o que se passa na política científica europeia, quando se discute o futuro do financiamento da ciência.

Para 28 de setembro está marcado, como disse à Lusa Manuel Heitor, um conselho de ministros da investigação na Europa, no qual se vai falar da definição das perspetivas financeiras para o setor, um tema também em foco no Conselho Europeu de chefes de governo no final de novembro.

A conferência de sexta-feira está por isso, disse Manuel Heitor, “no centro do debate” que acontece em vários países e com a Comissão Europeia, sobre as perspetivas financeiras “para a definição do chamado Horizonte Europa, o programa de financiamento em investigação na Europa entre 2021 e 2027”.

O novo programa de investigação e inovação da Comissão Europeia tem o financiamento mais ambicioso de sempre, de 100 mil milhões de euros (2021-2027).

“Neste momento há uma discussão aberta sobretudo sobre o nível de participação das pessoas e daquilo que se chama a orientação do financiamento à investigação em função de grandes missões, por exemplo a cura do cancro ou a cura do Alzheimer, ou a redução dos níveis de CO2 nas cidades, ou a limpeza dos oceanos”, disse Manuel Heitor, acrescentando que se debate a forma de financiar a investigação no futuro, criando-se “relações de confiança com os cidadãos” e ativando-se “novas atividades de investigação”, estimulando o emprego científico e aumentando a participação do setor privado.

Para o ministro, a conferência de sexta-feira pode “ajudar o debate, sempre centrado no reforço daquilo que é a política científica na Europa” e na melhoria das formas de financiamento. Além de líderes de grandes laboratórios europeus, de empresas e de políticos estarão também presentes na iniciativa os museus de ciência.

“Vamos ouvir cientistas, decisores políticos, e criar um dia de reflexão para melhor informar as decisões políticas que serão tomadas a nível europeu nos próximos meses”, disse Manuel Heitor.

Rosalia Vargas, presidente do Pavilhão do Conhecimento/Ciência Viva, que também está na organização da conferência, disse à Lusa que a iniciativa de alto nível vai discutir assuntos prementes num momento próprio, quando se debate o financiamento científico para a próxima década.

A conferência, que homenageia além de Mariano Gago outras quatro personalidades europeias, junta cerca de meia centena de participantes, entre políticos, cientistas, professores e responsáveis de instituições científicas de vários países da União Europeia.

Manuel Heitor pretende que as “Gago Conferences” venham ocupar o lugar vazio de discussão de política científica na Europa. Apesar de pensadas para se realizarem uma vez por ano, a conferência de Viena é a segunda em 2018, depois da primeira em fevereiro deste ano, no Porto.

Rosalia Vargas disse à Lusa que há já instituições a “posicionarem-se” para receber outras conferências e que a próxima, em 2019, poderá ser em Barcelona. (Ag.Lusa)

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