Diabo na Cruz lançam esta semana novo álbum intitulado “Lebre”

A completarem dez anos, os Diabo na Cruz editam na sexta-feira o álbum “Lebre”, depois de uma pausa de dois anos em que procuraram uma maior profundidade lírica e musical para o ‘trad-rock’ que praticam.

“Em dez anos as coisas mudaram bastante e aquilo que era muito ‘punk rock’ fazer-se, agora seria redundante. Portanto tivemos que encontrar um caminho novo e foi no sentido de uma maior profundidade, um mergulho maior nas questões do interior, menos relacionadas com as cidades, (…) nas questões mais perenes sobre laços, perguntas, dúvidas, de pertença, onde é a nossa casa”, afirmou Jorge Cruz, vocalista e compositor do grupo, à agência Lusa.

“Lebre” é o quarto álbum de originais dos Diabo na Cruz, um grupo que surgiu em 2008 para mostrar um rock embebido na música tradicional portuguesa, inspirado na tradição oral, na polifonia de vozes e ritmos de percussão rural.

Depois de uma longa e desgastante digressão, recordou Jorge Cruz, por causa do álbum anterior, “Diabo na Cruz” (2014), o grupo passou dois anos em hibernação ou dedicado a outros projetos e com outros artistas.

“Essa reflexão e esse balanço que nós iniciámos no momento de pausa a seguir à ’tournée’, levou-nos a olhar para trás, a ver o que tínhamos feito. Lançámos as nossas compilações. Olhámos para a nossa obra à procura de que acrescento lhe poderíamos trazer com um quarto disco”, referiu.

“Lebre” surge num outro contexto, diferente de há uma década. Em 2009, o álbum de estreia, “Virou!”, sublinhava uma “portugalidade estereotipada” que não era comum na música portuguesa.

Hoje, “essa imagem estereotipada está em todo o lado, nas lojas de ‘souvenirs'”. “Estamos num país ‘folclorizado’, gentrificado, para turistas, que tem uma economia virada para esse tipo de imagem estereotipada”, lamentou.

Desalinhado no pensamento de globalização e uniformização cultural, Jorge Cruz, 43 anos, procurou novos pretextos para compor nesse eixo dos Diabo na Cruz, alimentando-os na literatura portuguesa, em Alves Redol e Miguel Torga, por exemplo, nos estudos sobre música tradicional antiga, nas recolhas de Michel Giacometti ou José Alberto Sardinha.

“A ideia da poesia da paisagem é uma coisa que me interessa imenso. Estou à procura de inspirações de alguém que tenha palavras para explicar aquilo que sentimos … Diabo na Cruz tem uma influência muito ténue europeia, há um lado de cultura folk americana que está presente desde o início”, disse.

Jorge Cruz, nascido na Praia da Barra (Aveiro), escolheu viver no campo, perto de Lisboa, e a paisagem ajudou a pacificar e a dar um contexto e uma lógica às canções que compõe.

Há ainda uma referência constante à figura da lebre na história do grupo, presente em várias letras, em particular em “O regresso da lebre”, de 2009, e agora no novo álbum, num instrumental e em “Tema da Lebre”, que dá nome ao registo.

“Nós fazemos os álbuns sobre os álbuns, músicas sobre a banda, as personagens sobre a banda. Há uma pescadinha de rabo na boca e a lebre é um dos temas principais da nossa obra e para nós merecia um destaque no quarto disco”, justificou.

Sem dar concertos desde 2016, os Diabo na Cruz têm dois marcados para novembro, no dia 15, no Coliseu de Lisboa, e, no dia 22, no Coliseu do Porto, aos quais se deverá seguir, em 2019, uma digressão pelo país, sobretudo fora das grandes cidades.

Além de Jorge Cruz, dos Diabo na Cruz fazem parte Bernardo Barata, Sérgio Pires, João Gil, Manuel Pinheiro e João Pinheiro. (Ag.Lusa)

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