Uma goleada que pode não chegar a Portugal contra o Gana

A seleção portuguesa de futebol, com meia equipa na “enfermaria”, procura na quinta-feira golear uma congénere do Gana que parece vender saúde, mas esse resultado pode, ainda assim, revelar-se insuficiente para assegurar a continuidade no Mundial 2014.

Depois da goleada por 4-0 sofrida na estreia no Grupo G, perante a seleção germânica, e do afortunado empate 2-2 alcançado no domingo com os Estados Unidos, a equipa lusa está obrigada a golear os africanos e esperar que o embate entre os norte-americanos e a poderosa Alemanha não se salde por uma igualdade.

O alemão Jürgen Klinsmann, atual selecionador dos Estados Unidos, que tantas glórias proporcionou ao seu país enquanto jogador, pode agora ter a devida retribuição da equipa germânica, até porque o empate não só qualifica as duas seleções como garante à “Mannschaft” a vitória no grupo.

Antes de lançar um “ouvido” ao transístor para conhecer as incidências do Estados Unidos-Alemanha, a seleção nacional necessita de ultrapassar as suas próprias limitações e de conquistar uma vitória robusta no primeiro confronto do seu historial com o Gana, no Estádio Nacional, em Brasília, tarefa que não se adivinha nada fácil.

A seleção africana, que no Mundial2010 apenas falhou as meias-finais no desempate por grandes penalidades, entrou com o pé esquerdo no torneio, ao perder por 2-1, com alguma dose de injustiça, frente aos Estados Unidos, mas impressionou no embate com a Alemanha, que tinha a cotação em alta após a goleada imposta a Portugal e resignou-se a um empate 2-2.

As lesões de vários habituais titulares são a maior dor de cabeça do selecionador Paulo Bento e o embate de domingo trouxe mais duas possíveis baixas à equipa das quinas: o defesa André Almeida e o avançado Hélder Postiga, que foi o segundo melhor marcador de Portugal na fase de qualificação, com seis golos.

Do confronto inaugural tinham também resultado várias baixas de vulto, como o defesa Fábio Coentrão, que acabou por dispensado, o guarda-redes Rui Patrício e o ponta de lança Hugo Almeida, estes dois “KO” até ao fim da fase de grupos todos devido a lesões musculares.

A boa notícia para Paulo Bento é o regresso do central Pepe, que foi expulso frente à Alemanha e, por isso, foi suspenso para o segundo jogo, mas aquela que o selecionador nacional mais gostaria de receber era que Cristiano Ronaldo estava a jogar ao nível daquele que lhe valeu a distinção de melhor futebolista mundial de 2013.

O avançado, que falhou grande parte do estágio de preparação devido a dores musculares na coxa esquerda e uma inflamação no tendão rotuliano, nunca afastou a imagem de não estar a 100 por cento, tendo protagonizado duas exibições discretas e, mais importante, sem qualquer golo marcado.

Do lado ganês, a ausência do médio Sulley Muntari, suspenso, é a única contrariedade de uma equipa que, ao contrário de Portugal, tem relevado um impressionante poderio físico e que até está à frente na corrida pelos “oitavos”, pois possui uma diferença menos negativa do que Portugal entre golos marcados e sofridos.

Tal como a equipa lusa, os ganeses, uma das melhores seleções africanas da atualidade, esperam por boas notícias do outro jogo do grupo, no qual o avançado alemão Miroslav Klose se pode tornar o melhor marcador em fases finais do Mundial, registo em que está em igualdade com o brasileiro Ronaldo, ambos com 15 golos.

Após dois jogos disputados sob calor sufocante, em Salvador e em Manaus, o clima de Brasília promete algumas tréguas à equipa lusa, pois, se o termómetro não descerá de forma significativa, pelo menos a percentagem de humidade vai aproximar-se da realidade de Portugal.

Se é verdade que Portugal tem o dobro das participações do Gana em fases finais (seis contra três) e até já chegou uma vez ao pódio (terceiro lugar, em 1966, sob a “batuta” de Eusébio), os africanos fizeram muito melhor figura no último Campeonato do Mundo.

No primeiro Mundial disputado em África, em 2010, o Gana obteve a sua melhor classificação, terminando no sétimo lugar, depois de ter sido batido nas meias-finais pelo Uruguai, apenas no desempate por grandes penalidades, enquanto Portugal se ficou pelos “oitavos”, ao perder por 1-0 frente à Espanha, futura campeã. (Ag.Lusa)


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