Analista alemão não excluiria a possibilidade de Portugal de sair da zona euro

Wolfgang Munchau considera que “os Governos do Sul da Europa subestimam o seu poder negocial”. Se “fosse político” em Portugal, o analista económico Wolfgang Munchau adotaria uma estratégia negocial que afirmaria o compromisso de se manter na zona euro, mas, simultaneamente, não excluiria a possibilidade de sair.

Em conferência de imprensa no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, onde participa hoje como orador no encontro Presente no Futuro, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o colunista e editor do Financial Times sugere um compromisso simultâneo, com a zona euro e com “um futuro económico para o país”, considerando que “os Governos do Sul da Europa subestimam o seu poder negocial”, incluindo o português.

“Deita-se fora todo o poder negocial ao dizer, aconteça o que acontecer, nunca sairemos da zona euro, até porque não se pode dizer isso. Neste momento, seria uma estupidez sair da zona euro, mas, se o ajustamento económico, que não tem prosseguido bem, continuar durante mais dez anos, pode não haver outra alternativa a não ser sair da zona euro”, sustentou.

A situação da Itália “vai ser muito mais complicada”, desde logo por “uma questão de escala” e possível “efeito de contágio”, antecipou o analista, porém frisando: “Não subestimem o potencial de um fracasso de Portugal. Se Portugal sair da zona euro, levantará questões em Itália e Espanha imediatamente.”

Sobre a posição que a Alemanha adotará em relação aos países do Sul após as eleições legislativas de 22 de setembro, Munchau não antecipa nenhuma “mudança política fundamental”, independentemente do resultado.

“Há posições legais e políticas que são partilhadas em todo o país e não apenas pela [chanceler alemã Angela] Merkel. Ela não tem assim opiniões tão fortes sobre as coisas, nem lidera a opinião conservadora, é muito mais uma gestora de processos”, descreveu, acrescentando: “Se estiverem numa sala com ela vão achá-la uma pessoa muito prática, mas ela tem os seus limites.”

Na sessão em que foi um dos oradores, Munchau descartou que a Alemanha procure a hegemonia na Europa, considerando antes que “o sistema está hegemonicamente desenhado” e todos parecem “querer ser como a Alemanha”. (Ag.Lusa)


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