• Ter. Jul 5th, 2022

Economista António Mendonça diz que país tem que definir orientações estratégicas

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O bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, salientou a necessidade de o país definir orientações estratégicas e rodeá-las de um grande consenso nacional como forma de resolver de forma estrutural a questão do crescimento da economia.

“É importante introduzir vetores estratégicos, pensar estrategicamente” porque “não podemos estar em todos os domínios”, precisou o bastonário da Ordem dos Economistas dando como exemplo contrário ao que deve ser feito a indefinição em torno do novo aeroporto de Lisboa.

“Há 60 anos que andamos a discutir onde é a localização [do aeroporto]. Acho que é a expressão maior da nossa incapacidade de definir orientações estratégicas”, precisou António Mendonça numa conferência sobre as consequências económicas da guerra na Ucrânia, organizada pelo Instituto Benjamin Franklin, que hoje decorreu no Grémio Literário, em Lisboa.

O bastonário da Ordem dos Economistas referiu-se ainda ao crescimento da economia portuguesa, salientando que não são dois ou três anos de maior crescimento que devem levar a crer que o problema [de fraco crescimento] está resolvido.

“Há aqui um problema estrutural, a que temos de dar atenção e que temos de ter como referência naquilo que seja a condução de políticas económicas, quer internas, quer do ponto de vista do relacionamento internacional”, referiu.

Neste contexto salientou a necessidade de haver “uma espécie de um pacto para o crescimento que englobe os diferentes agentes económicos” que permita “encontrar um consenso relativamente ao que importa fazer para infletir de forma estrutural esta tendência”, afirmando ainda esperar que a guerra possa, deste ponto de vista, “ter uma consequência positiva que é alertar-nos para este problema de natureza estrutural que temos”.

Mira Amaral, antigo ministro da Indústria e Energia de Cavaco Silva, outro dos oradores convidados, salientou, por seu lado, a necessidade de se diversificarem fontes de energia e alertou para as “intermitências” das renováveis e para o perigo de se ficar totalmente dependente de uma única tecnologia — numa alusão aos carros elétricos.

Antes e numa referência à inflação, observou que num país endividado como Portugal, o Governo tem de jogar “à defesa”, tentando calibrar políticas sociais de apoio aos que têm menores rendimentos com apoios a empresas competitivas e mais sujeitas ao choque de preços dos combustíveis, evitando aceitar que “aumentos nominais de salários compensem a subida da inflação”.

Durante esta conferência foi ainda lançado o livro “Jubilação” de António Rebelo de Sousa a propósito da sua Jubilação da Universidade de Lisboa a 31 de maio de 2022, tendo o momento contado com a presença do Presidente da República e seu irmão, Marcelo Rebelo de Sousa. (Ag.Lusa)

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