Estudo revela que portugueses desconfiam das instituições nacionais e internacionais

Os portugueses desconhecem o funcionamento e duvidam da isenção de instituições nacionais e internacionais como o Serviço Nacional de Saúde, Banco de Portugal, Fundo Monetário Internacional ou Parlamento Europeu, segundo um estudo hoje divulgado pela Deco.

De acordo com as conclusões do inquérito, que foi aplicado em vários países europeus, “os portugueses aparecem como um dos povos menos informados sobre o funcionamento, formação e competências das instituições internacionais”, duvidando “militantemente” da sua “isenção”, “autonomia” e “capacidade”.

Segundo a associação de defesa do consumidor, o nível de desconfiança dos portugueses, por exemplo, relativamente ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial de Saúde (OMS) e Parlamento Europeu oscila entre os 60 e os 70%, “espelhando elevados níveis de desconhecimento (no mesmo nível percentual) relativamente ao seu funcionamento, objetivos e composição”.

“Quanto às instituições nacionais, 87% dos inquiridos não sabem quais são os seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”, refere, acrescentando que “74% não confiam no Banco de Portugal enquanto entidade supervisora do sistema bancário”.

De acordo com a Deco, numa escala de um a dez, os portugueses “não confiam acima dos 5,9%, uma positiva à tangente, em instituições como o exército e a polícia”, sendo que no sistema público de ensino se ficam pelos 5,6%, na Igreja pelos 5,4% e na televisão pública nos 5,3%.

No fim da lista surgem instituições financeiras como o FMI, Banco de Portugal e Banco Mundial, cujos níveis de confiança não chegam a atingir os 3,5%.

Segundo se lê nas conclusões do trabalho, “a grande maioria dos portugueses [70% ou mais dos inquiridos] desconfia, sobretudo, da autonomia destas instituições em relação a grupos económicos, governos e forças políticas”, sendo esta desconfiança “particularmente notória na forma como olham para o Banco de Portugal e para o Banco Mundial”, que “causam descrença praticamente a todos os níveis: independência, competência para supervisionar o sistema ou capacidade de promover o crescimento económico”.

No que se refere ao nível de conhecimento sobre as instituições, “metade dos inquiridos não sabe se os bancos privados podem pedir dinheiro emprestado ao Banco Mundial e se uma das tarefas desta entidade é supervisionar as agências de ‘rating'”, assim como “se a NATO é fundamentalmente subsidiada pela indústria do armamento”, enquanto”47% não sabem se a OMS é financiada pela indústria farmacêutica e 45% desconhecem se o FMI só inclui países do mundo ocidental”.

Internamente, diz a Deco, “a grande maioria diz-se pouco conhecedora da estrutura, da missão e das atividades das instituições analisadas”, do que resulta que “apenas 23% estão informados dos seus direitos enquanto utentes do SNS e perto de metade não saberia queixar-se de um erro médico”. (Ag.Lusa)

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