• Qui. Out 28th, 2021

Médicos alertam para falência da urgência pediátrica do hospital de Faro

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Os médicos do Centro Hospitalar do Algarve (CHUA) alertou para a “alarmante situação de falência” da urgência pediátrica do hospital de Faro, considerando que a falta de profissionais está a colocar em risco a assistência aos doentes.

Numa carta enviada à administração do CHUA, à tutela e a outras entidades, o grupo refere que o “envelhecimento persistente do corpo clínico” e a saída de médicos estão a dificultar o preenchimento das escalas na urgência e pede soluções urgentes.

“Seria impossível assegurar a habitual escala de urgência, que só comporta um pediatra nas 24 horas, caso os colegas pediatras que já têm dispensa de realizar serviço de urgência não o continuassem a efetuar até à data de hoje”, justificam os subscritores do documento, datado de 10 de setembro.

De acordo com a missiva, aquele serviço “é constituído por 13 pediatras, dos quais seis têm mais de 55 anos, ou seja, já alcançaram o limite etário para a dispensa da realização do serviço de urgência, e um elemento com mais de 50 anos, pelo que está dispensado de realizar serviço de urgência noturno”.

Neste sentido, “para assegurar a urgência de Pediatria 24 horas por dia, sete dias por semana, restam apenas seis pediatras, que neste momento estão reduzidos a quatro (dois elementos estão de atestado médico) e, a este ritmo, é provável que outros acabem por ficar indisponíveis” devido à sobrecarga de trabalho.

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Questionada pela Lusa sobre a situação, fonte do CHUA referiu que a administração está empenhada em procurar soluções para “colmatar as carências” de profissionais e que “tem vindo a envidar todos os esforços” nesse sentido, nos vários serviços e no caso concreto da Pediatria e da Unidade de Cuidados Intensivos e Semi-intensivos Neonatais e Pediátricos (UCINP).

“O Conselho de Administração do CHUA […] está empenhado em encontrar soluções não só pontuais, mas, essencialmente, de fundo, para suprir a carência de recursos médicos, que é crónica e afeta tanto os profissionais como, razão de ser da instituição, os utentes”, assegurou o centro hospitalar algarvio na resposta.

Segundo a carta subscrita por mais de 20 médicos, enviada também à ministra da Saúde e à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, entre noutros, o número atual de pediatras é “insuficiente para assegurar a atividade assistencial própria do setor”.

Segundo os clínicos, o setor está “atualmente sobrecarregado devido à pandemia de covid-19”, já que, na prática, têm de ser asseguradas “duas urgências de Pediatria em simultâneo”, o que engloba o atendimento em balcão, a assistência a doentes emergentes e o cuidado a doentes internados na Unidade de Internamento de Curta Duração”.

A administração do CHUA afirmou estar a “intervir a todos os níveis” e “em contacto com a Administração Regional de Saúde do Algarve e a tutela” para “obter reforços” de profissionais e disse já ter contactado para o efeito “os conselhos de administração dos principais centros hospitalares do país”, colocando também “anúncios na imprensa com o mesmo objetivo”.

Segundo a mesma fonte, a escala de outubro, que já foi divulgada, é “ainda provisória”, no entanto, a administração do centro hospitalar sublinhou que está a trabalhar para que esta “fique suficientemente dotada com médicos especialistas de Pediatria”.

De acordo com os subscritores da carta, as escalas têm sido preenchidas com recurso a médicos de Medicina Geral e Familiar, estando em causa a assistência pediátrica na unidade de Faro do CHUA (composto ainda pelas unidades de Portimão e Lagos), que assiste uma população de 57.000 utentes até aos 18 anos.

Esta falta de profissionais, é referido, “impossibilita, de todo, uma assistência com a mínima qualidade aos doentes, colocando a sua saúde em risco, bem como o empenho e rigor que sempre caracterizou a unidade de Faro” do Centro Universitário Hospitalar do Algarve.

Por esse motivo, justificam os subscritores, os médicos que assinam a missiva “declinam antecipadamente quaisquer responsabilidades de situações resultantes da impossibilidade de prestar assistência a doentes urgentes” e das “limitações inerentes ao desfasamento dos escassos recursos humanos e o atual e esperado volume de trabalho”. (Ag.Lusa)

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