Os maiores investidores do BES desfizeram-se das ações antes da suspensão em bolsa

Os investidores institucionais venderam grandes lotes de ações do BES nas vésperas do anúncio da intervenção do Banco de Portugal no banco, segundo os números oficiais passados aos deputados pela CMVM, que sustentam as suspeitas de abuso de informação privilegiada.

No dia 01 de agosto, a última sexta-feira em que os títulos do Banco Espírito Santo (BES) foram negociados em bolsa, antes de serem suspensos perto do final da sessão por ordem da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foram transacionadas em bolsa 252 milhões de ações do BES.

De acordo com um documento hoje entregue aos deputados pelo presidente da CMVM, Carlos Tavares, na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), a que a agência Lusa teve acesso, do total de ordens de venda nessa sessão específica, 87% foram dadas por investidores institucionais, ou seja, bancos de investimento, seguradoras e fundos de pensões, entre outras entidades de grande dimensão.

Na véspera, dia 31 de julho (quinta-feira), o peso das vendas dos institucionais sobe para 89% no total próximo de 420 milhões de ações do BES transacionadas.

Na antevéspera, dia 30 de julho, a fatia das vendas dos institucionais no total de quase 162 milhões de papéis do BES negociados é ainda maior: 94%.

A 29 de julho foram movimentados 98 milhões de títulos, com os institucionais a pesarem 81%, e a 28 de julho foram negociadas pouco mais de 44 milhões de ações e o peso dos institucionais nas ordens de venda foi de 82%.

No total, na semana que antecedeu o anúncio da medida de resolução aplicada pelo supervisor bancário ao BES, feito num domingo à noite (03 de agosto), foram transacionadas quase mil milhões de ações do banco (975.809.159).

Na última sessão em que os títulos do BES foram negociados em bolsa, antes da suspensão, registavam já uma queda próxima de 50% para o novo mínimo histórico de 0,105 euros, depois de já terem sofrido uma forte queda na sessão anterior.

Todas estas movimentações estão a ser investigadas pela CMVM, que tem suspeitas de ter havido abuso de informação privilegiada na base destas vendas massivas de títulos do BES.

A comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES arrancou na segunda-feira e no total serão ouvidas cerca de 130 personalidades ligadas direta e indiretamente ao assunto.

Carlos Tavares, a ser ouvido desde as 15:00, é a segunda personalidade que presta hoje esclarecimentos, depois de o presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, ter estado no parlamento de manhã.


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