Salgado reuniu-se com Cavaco e alertou para riscos sistémicos do GES e BES

O antigo presidente executivo do BES Ricardo Salgado reuniu-se duas vezes em 2014 com o Presidente da República tendo alertado Cavaco Silva sobre os “riscos sistémicos” envolvendo o Grupo Espírito Santo (GES) e o BES.

Em carta endereçada à comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, e a que a agência Lusa teve acesso, Salgado detalha os encontros tidos com responsáveis políticos em 2014, dividindo as reuniões em duas fases.

A primeira fase de contactos deu-se em março e abril e nela foi abordada a “evolução do BES e a necessidade de assegurar que a transição da respetiva ‘governance’ decorresse de forma estável e controlada”, e no segundo rol de encontros, em maio, deu-se um “pedido de apoio institucional e, ainda, [de] confiança nos planos de recuperação apresentados e na estratégia delineada”.

Salgado disse à comissão de inquérito que a sua agenda foi apreendida pelo Ministério Público e não tem portanto “absoluta certeza” da exatidão de todas as datas, mas socorreu-se de vários documentos e “informações prestadas por outros intervenientes” para fazer tal retrospetiva.

A 31 de março Ricardo Salgado reuniu-se com Cavaco Silva, ao passo que a 07 de abril encontrou-se com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

No dia seguinte o ex-banqueiro esteve com a ministra das Finanças, e a 22 de abril deu-se uma reunião com o agora ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

No segundo leque de reuniões, em maio, Salgado esteve reunido com o ex-secretário de Estado e atual comissário europeu Carlos Moedas no dia 02, com o Presidente da República a 06, com a ministra das Finanças e o primeiro-ministro a 14, e com o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, no dia 20.

Também em maio deu-se outra reunião com Durão Barroso que Ricardo Salgado não consegue precisar a data.

As diligências, diz o ex-banqueiro na carta enviada ao parlamento, “visavam, entre outros objetivos, informar as entidades competentes sobre as preocupações do GES e, reitere-se, do próprio BES”.

“Foi nesse contexto que assumi ser meu dever prevenir, mais uma vez, as entidades regulatórias e políticas para os riscos sistémicos, designadamente ao nível do setor financeiro”, sublinha Ricardo Salgado.

As entidades contactadas, diz o histórico líder do BES, “ouviram as preocupações que lhe foram transmitidas, tendo referido que as questões suscitadas seriam analisadas”.

“As diligências que, posteriormente, terão sido adotadas, no âmbito das competências próprias de cada entidade, transcendem o meu conhecimento”, remata Salgado. (Ag.Lusa)

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