USA têm 200 milhões de potenciais clientes para calçado português

O diretor executivo da Associação dos Industriais de Calçado afirmou hoje que o acordo comercial que está a ser negociado com os EUA é positivo para o setor, estimando que existam 200 milhões de potenciais clientes entre os norte-americanos.

João Maia, que foi hoje ouvido na Assembleia da República no âmbito de um conjunto de audições sobre a Parceria Transatlântica para o Comércio e Investimento, destacou que este mercado representa um quarto dos potenciais clientes (com um rendimento superior a 30 mil dólares per capita) para esta indústria e pode tornar-se no primeiro mercado de exportação.

Atualmente, são os países europeus que absorvem a maior parte das exportações de calçado nacional, mas o dirigente da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) salientou que o objetivo é procurar “mercados alternativos”.

João Maia destacou aos deputados da comissão de Economia e Obras Públicas a importância do acordo com os Estados Unidos (EUA), mas falou também do caso do Japão, país que a APICCAPS encara como possível segundo mercado de exportação, já que a Europa, onde se encontram “os clientes ricos”, é equiparada a mercado doméstico.

“Somos totalmente a favor do acordo, porque os EUA não têm indústria de calçado: ou fabricam para os militares, porque são obrigados a comprar, ou sapatilhas”.

Segundo o mesmo responsável, os EUA produzem “um décimo” do que a indústria portuguesa fabrica e “não têm um preço médio significativo”, enquanto o preço do calçado nacional para exportação ronda os 23 euros, sendo o segundo mais elevado a nível mundial e custando o triplo do calçado importado.

O dirigente da APICCAPS disse à Lusa que atualmente o setor exporta apenas 3% da produção para os EUA, mas poderia chegar aos 10% com o acordo.

João Maia assinalou ainda que as tarifas são o ponto mais relevante: “O acordo que está em negociação é muito abrangente, tem várias áreas de atuação, como a regulação, mas para nós o mais significativo são as tarifas”.

Na generalidade, as taxas aduaneiras rondam os 10%, o que significa que cada par de sapatos exportados para os EUA paga um imposto de 10% à entrada no país.

“Um acordo de comércio livre terá tendência a eliminar esta tarifa”, explicou à Lusa.

João Maia mostrou-se também preocupado com o facto de o tratado demorar muito tempo a negociar, sublinhando que o acordo partiu de “um esforço político muito forte do Presidente Obama” para fazer face à falta de crescimento na Europa e nos EUA, mas pode ficar num impasse se as negociações ultrapassarem o mandato de Obama.

“Tradicionalmente nunca foi possível negociar um acordo desta dimensão (…) e não existe nenhum acordo que tenha sido negociado num ou dois anos. O nosso medo é que demore mais do que o mandato do presidente Obama e depois não haja esse esforço político. Daí acharmos que tem de ser negociado neste horizonte temporal de 2014/215”, adiantou.

O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, conhecido pela sigla inglesa (TTIP), “destina-se a eliminar as barreiras comerciais, aduaneiras e não aduaneiras, aplicadas sobre uma vasta gama de setores da economia, facilitando a compra e venda de bens e serviços por empresas, nos dois mercados”, segundo a informação disponibilizada no portal do Governo.

O TTIP visa também “abrir os mercados aos serviços, ao investimento e ao mercado de contratos públicos” e pode representar um ganho anual de mais de 545 euros para uma família média europeia (até 5 pessoas) devido a um estímulo de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) europeu, de acordo com um relatório citado no mesmo portal.

As transações diárias de bens e serviços entre a União Europeia e os EUA 2 mil milhões de euros. (Ag.Lusa)


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