Confrontos violentos em Paris causaram mais de 85 feridos e 180 detenções

Mais de 85 pessoas, incluindo 16 polícias, ficaram feridos nos violentos protestos ocorridos no sábado em Paris, que provocaram também 183 detenções de ativistas do movimento “gilets jaunes” (coletes amarelos).

Os protestos relacionados com a elevada carga fiscal e a subida do custo de vida motivou uma série de distúrbios violentos nas ruas da capital francesa com a polícia a responder aos manifestantes com canhões de água e gás lacrimogéneo.

Tratou-se do terceiro fim de semana consecutivo de confrontos e distúrbios em Paris, com sinais de violência que contrastam com outras manifestações do género em outras regiões de França que se desenrolaram sem grandes sobressaltos.

Os confrontos iniciaram-se perto do Arco do Triunfo e prosseguiram durante a tarde em várias ruas e avenidas da capital gaulesa, muitas delas frequentadas por turistas.

Os manifestantes chegaram a construir barricadas no meio das ruas, atearam fogos, atiraram pedras à polícia e ‘graffitaram´ o Arco do Triunfo. Os ativistas do movimento “coletes amarelos” incendiaram ainda diversas viaturas e baldes do lixo.

Alguns dos manifestantes removeram as barreiras que protegiam a Tumba do Soldado Desconhecido da Primeira Grande Guerra Mundial junto ao Arco do Triunfo, permanecendo junto da chama eterna antes de a polícia os ter dispersado.

Com um spray de tinta escreveram no Arco do Triunfo: “Coletes amarelos triunfarão”.

Coletes amarelos: as pessoas presas não são de ultra-direita, mas de ultra-esquerda.

Segundo a radio RTL, nos últimos dias, os perfis de pessoas presas durante a manifestação dos Coletes amarelos em Paris não correspondem realmente às primeiras declarações do ministro do Interior, que apontou os desordeiros pertencentes à “ultra-direita”.

Entre os mais de 100 indivíduos presos pela polícia, há principalmente perfis associados à “ultra-esquerda”

Além do descontentamento com os impostos e o custo de vida, os manifestantes declaram-se insatisfeitos com a liderança do Presidente francês, Emmanuel Macron, alegando que o seu Governo não se preocupa com as classes sociais mais desfavorecidas.

A onda de descontentamento começou com a taxa dos produtos petrolíferos, mas rapidamente passou a envolver outras queixas relacionadas com o custo de vida. Alguns dos manifestantes parecem ter sido seduzidos por movimentos extremistas, quer de extrema-direita, quer de extrema esquerda.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, afirmou que os manifestantes atacaram a polícia com uma violência inaudita, obrigando as forças policiais a realizar dezenas de detenções.

A presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, partilhou hoje a sua “indignação” e “profunda tristeza” pelo sucedido, afirmando que a violência “não é aceitável”.

Os manifestantes em Paris foram estimados em 5.500, tendo a nível nacional sido contabilizados cerca de 75 mil.

Hoje, bem cedo, centenas de manifestantes, de forma pacífica, circularam junto aos Campos Elíseos exibindo um enorme pano onde se lia: “Macron, para de nos tomares por estúpidos”.

O acesso aos Campos Elíseos foi fechado à circulação rodoviária, tendo sido montada uma apertada fiscalização, com inspeção aos sacos das pessoas. As estações de Metro em redor foram também encerradas por razões de segurança.

“É difícil chegar ao final do mês. As pessoas trabalham e pagam uma série de taxas e impostos elevados”, criticou Rabah Mendez, um manifestante que veio dos subúrbios de Paris para se manifestar de forma pacífica.

Por seu lado, Hedwige Lebrun, residente em Paris, queixou-se de que o poder de compra das pessoas encolhe a cada dia que passa. “São taxas, taxas e taxas”, disse, lembrando que o Governo manda “apertar o cinto, mas, pelo contrário, gasta como quer o dinheiro” dos contribuintes.

Desde que se iniciou o movimento “coletes amarelos” em 17 de Novembro, duas pessoas morreram e centenas ficaram feridas na sequência dos protestos.

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