• Ter. Dez 1st, 2020

Comissão Europeia alerta para riscos elevados nas contas nacionais

Bruxelas considera que Portugal se encontra numa situação de risco elevado quando o assunto é a sustentabilidade das finanças públicas no médio prazo.

Segundo o jornal SOL, o problema é da dívida pública. Ainda que esteja prevista uma redução, Bruxelas diz que poderá ser insuficiente.

De acordo com o “Relatório de Sustentabilidade Orçamental 2018”, publicado esta sexta-feira pela Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, os grandes desafios estão traçados e prendem-se essencialmente com o valor da dívida pública que tanto pesa em Portugal.

Segundo o Banco de Portugal, no mês de julho do ano passado, por exemplo, registou-se um aumento da dívida pública de 1,6 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, ficando nos 248,2 mil milhões de euros.

Este aumento “contribuiu essencialmente para a subida dos títulos da dívida”, afirma o Banco de Portugal através de uma nota publicada.

O governo tinha estimado no Programa de Estabilidade que a dívida pública descesse para 122,2% em 2018. Em setembro de 2016 a dívida tinha atingido o máximo histórico ao atingir 132,8% do PIB nacional.

No segundo trimestre deste ano a dívida tinha caído para 125,8% do PIB, segundo avançou o Boletim Estatístico divulgado pelo Banco de Portugal no mês passado.

Uma nova crise em Portugal?

O ex-presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, já veio garantir que a atual situação financeira mundial, está num plano tão perigoso como o que foi vivido em 2007, ano que antecedeu a maior falência financeira: Lehman Brothers. Nouriel Roubini, conhecido por ter previsto a última crise financeira, prevê uma nova já em 2020.

Já na análise do Orçamento de Estado para este ano, vários economistas tinham destacado alguns riscos e aproveitaram para salientar a questão da dívida pública.

Para Eduardo Catroga, por exemplo, a conjuntura da Europa não está a ser aproveitada como devia. “Já devíamos estar em excedente orçamental. Devíamos ter aproveitado a onda. Foi o que fizeram outros países”, explica o economista, alertando ainda para alguns dos riscos deste OE para 2019.

“A despesa continua a subir e nem sequer se justifica. Não se pode crescer em termos reais. A despesa tem de estar congelada. Nenhum OE pode ter uma dívida pública excessiva. É aqui que aparecem os maiores riscos”, sublinha. Porque, “quanto maior for a despesa pública, pior. A nossa é um excesso e é insuportável”.

Também Bagão Félix, por exemplo, comentou o peso e dos riscos da dívida pública nacional. “Embora a nossa dívida pública tenha descido um pouco em termos nominais, continuamos a ter uma dívida líquida à volta dos 120% da riqueza nacional.

Isso é um cutelo sobre o futuro, temos a terceira dívida mais elevada no contexto da União. Depois algumas das medidas que contribuíram para uma maior consolidação das contas públicas são medidas que não dominamos. Além disso, cortou-se muito no investimento público”, explica.

Facebook Comments
O Problema da dívida: “O único problema que temos foi ter passado a vida a ignorá-lo”, comenta Vítor Bento

(Destaque) "Portugal passou a vida a ignorar que tem um problema de dívida pública" e esse problema vai dificultar o combate à crise económica decorrente da covid-19, alerta o economista Read more

OE 2020 : Carga fiscal volta a subir no próximo ano para 35% do PIB

O peso dos impostos e das contribuições sociais efetivas deverá voltar a aumentar para 35% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, segundo a proposta do Orçamento do Estado Read more

Dívida pública aumenta mais uma vez de 200 milhões de euros e atinge os 252,3 mil milhões de euros

A dívida pública cresceu 200 milhões, para 252,3 mil milhões de euros, um valor que segundo o Banco de Portugal se deve às responsabilidades do aumento dos depósitos. A dívida Read more

Os Portugueses merecem uma visão mais clara para o futuro do país!

(Atualização 12/01/2020) A possibilidade de um déficit orçamental de 0% em Portugal “brilha” tanto que parece “esperança” para Europa, levando o Financial Times a pensar, a 26 de agosto de Read more

Show Buttons
Hide Buttons