• Qui. Jul 7th, 2022

Funcionários da ONU instam Guterres a ter “presença” na guerra

Guterres

Os antigos funcionários, incluindo muitos antigos subsecretários da ONU, exortaram-no a estar preparado para assumir riscos para garantir a paz.

Um grupo de mais de 200 antigos altos funcionários da ONU escreveu ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, avisando-o de que, a menos que ele tome a iniciativa de tentar mediar uma paz na Ucrânia, a ONU arrisca-se não só à irrelevância, mas também a sua existência.

Os antigos funcionários, incluindo muitos antigos subsecretários da ONU, exortaram-no a estar preparado para assumir riscos para garantir a paz, dizendo que a ONU enfrenta uma ameaça existencial devido à invasão da Ucrânia por um dos cinco membros permanentes do conselho de segurança.

“O que nós e o público em geral queremos ver, no entanto, é uma presença política da ONU e um envolvimento público, para além da notável resposta humanitária da ONU à crise da Ucrânia”, disseram os autores.

“Queremos ver uma estratégia clara para restabelecer a paz, começando com um cessar-fogo provisório, e a utilização da capacidade da ONU para bons ofícios, mediação e resolução de conflitos. Isto poderia incluir visitas às zonas afetadas pelo conflito, discussões com as partes em conflito, até mesmo a deslocação temporária do seu próprio gabinete para a Europa, mais próximo das negociações necessárias e, assim, indicando a determinação da ONU em abordar frontalmente esta grande crise”, cita o The Guardian.

Os autores da carta incluem Jeffrey Feltman, subsecretário geral da ONU para os assuntos políticos entre 2012-2018; Andrew Gilmour, ex-secretário geral adjunto da ONU para os direitos humanos entre 2016 e 2019; Franz Baumann, ex-secretário geral adjunto da ONU para a assembleia geral até 2015; Ajay Chhibber, subsecretário geral adjunto do PNUD; e José Antonio Ocampo, ex-secretário geral adjunto das Nações Unidas para os assuntos económicos e sociais.

“Decidimos levantar a nossa voz por preocupação com o desafio existencial que as Nações Unidas enfrentam neste momento histórico”, escrevem. “A invasão russa da Ucrânia mina gravemente a ordem mundial pós guerra mundial. É o auge de uma série de ameaças à paz e segurança da humanidade, prosperidade partilhada e respeito pelos direitos humanos que as Nações Unidas encarnam”.

Os autores da carta admitem não saber se Guterres está envolvido em qualquer mediação nos bastidores. “Sabemos que vos preocupais profundamente em assegurar um impacto positivo das nossas Nações Unidas na humanidade e no planeta, o que também marcará o vosso legado ao leme do corpo mundial”, escrevem ainda.

Esta carta surge após a Rússia garantiu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, não tentou contactar o presidente russo, Vladimir Putin, desde o início da ofensiva russa na Ucrânia.

“Ninguém entrou em contato, nem por meio da missão permanente da Rússia na ONU, nem diretamente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”, disse Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, em declarações à agência Reuters.

Já esta terça-feira, Guterres apelou a uma pausa diplomática de quatro dias durante a Páscoa ortodoxa para corredores humanitários.

“Hoje apelo a uma pausa humanitária de 4 dias da Semana Santa, com início na quinta-feira Santa e a decorrer até domingo de Páscoa, 24 de abril, para permitir a abertura de uma série de corredores”, disse.

De acordo com António Guterres, a pausa humanitária forneceria as condições necessárias para atender “dois imperativos cruciais”: a passagem segura de todos os civis dispostos a sair das áreas de confronto, em coordenação com o Comité Internacional da Cruz Vermelha; e a entrega segura de ajuda humanitária às pessoas nas áreas mais atingidas, como Mariupol, Kherson, Donetsk e Lugansk.

“As Nações Unidas estão prontas para enviar para esses locais caravanas de ajuda humanitária, durante este período. Estamos a enviar às partes planos detalhados. As necessidades humanitárias são terríveis. As pessoas não têm comida, água, suprimentos para tratar os doentes ou feridos ou simplesmente para viver o dia-a-dia”, lamentou.

O ex-primeiro-ministro português salientou que mais de 12 milhões de pessoas necessitam atualmente de assistência humanitária na Ucrânia, sendo que mais de um terço destes estão em Mariupol, Kherson, Donetsk e Lugansk.

“Prevemos que esse número aumente para 15,7 milhões — cerca de 40% de todos os ucranianos que ainda estão no país”, anteviu.

“Por todas essas razões de vida ou morte, peço aos russos e ucranianos que silenciem as armas e criem um caminho para a segurança de tantos que estão em risco imediato. O período de quatro dias da Páscoa deve ser um momento de união para salvar vidas e promover o diálogo para acabar com o sofrimento na Ucrânia”, acrescentou Guterres.

Apesar do apelo, o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, disse na segunda-feira que um cessar-fogo da Rússia na Ucrânia “não está no topo” das prioridades de Moscovo, nem mesmo para permitir a evacuação de civis ou organizar a entrada de ajuda humanitária nas cidades mais afetadas. (Ag.Lusa)

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