Investigações ao BES devem estar concluídas até ao início de 2016

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, afirmou hoje que as fases de investigação das averiguações em curso no decorrer da auditoria forense ao BES devem estar concluídas no máximo até ao início de 2016.

“Existe a expectativa de as respetivas fases de investigação serem concluídas, progressivamente, em 2015 e início de 2016”, disse o responsável, em referência às “grandes linhas das averiguações em curso”, na sua intervenção inicial na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

E realçou: “No caso de se confirmarem os indícios que determinaram a abertura dos processos, serão deduzidas as respetivas acusações contra os responsáveis”.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considerou hoje que, à luz dos factos agora conhecidos, é possível dizer que as consequências da atuação dos gestores do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES) são “lamentáveis”.

“É possível hoje dizer que as consequências da atuação dos gestores desse grupo são lamentáveis”, afirmou a governante na sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

A ministra acrescentou que também “são lamentáveis as falências de empresas de menor dimensão”, mas que “não faz parte do leque de instrumentos que o Governo tem ao seu dispor apoiar empresas do setor não financeiro”.

Questionada sobre o conteúdo de uma reunião que teve com Ricardo Salgado em 2014, ainda antes do colapso do BES, Maria Luís Albuquerque voltou a dizer, tal como havia feito na sua primeira audição na comissão, que “o que foi solicitado é se havia disponibilidade de financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) ao ramo não financeiro do GES”.

E acrescentou: “O que os representantes do GES, nomeadamente, Ricardo Salgado, me transmitiram eram as dificuldades financeiras da área não financeira. Nunca Ricardo Salgado nos pediu, ao Estado português, para usar o mecanismo de recapitalização dos bancos”.

Confrontada com uma questão do deputado do PSD Carlos Abreu Amorim sobre a afirmação de Ricardo Salgado no parlamento de que a única coisa que o GES precisava era de tempo, a governante jogou ao ataque.

“Neste caso, como noutros que me ocorrem, tempo é dinheiro. E isso é que aparentemente não havia”, destacou.

Relativamente à exposição do BES ao GES, a governante sublinhou que a informação que sempre lhe chegou do supervisor bancário é que tinham sido tomadas medidas para isolar o banco do grupo.

“A informação que existia pública sobre o BES e o GES era do meu conhecimento. Mas havia informação que só o Banco de Portugal enquanto supervisor é que tinha. Sempre confiei no Banco de Portugal, porque é ao Banco de Portugal que cumpre essa responsabilidade”, vincou.

“Sabemos hoje que, caso as medidas do Banco de Portugal tivessem sido cumpridas, teriam evitado a contaminação do banco”, assinalou. (Ag.Lusa)

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