• Sex. Dez 2nd, 2022

Ramalho Eanes alerta que democracias “se destroem com muita facilidade”

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O antigo Presidente da República elogiou a homenagem feita a Pinto Balsemão, considerando importante que os jovens saibam que “as democracias se constroem com imensa dificuldade e se destroem com muita facilidade“.

Ramalho Eanes assistiu, na primeira fila, à homenagem promovida pelo primeiro-ministro em São Bento para assinalar os 40 anos do VII Governo Constitucional, o segundo da Aliança Democrática (AD) (PSD, CDS e PPM), e que foi liderado por Pinto Balsemão.

No final, questionado pelos jornalistas, disse ter acompanhado a cerimónia “com gosto”.

“Entendo que homenagear aqueles que tiveram um papel importante na democracia sobretudo na transição e consolidação democrática é importante, até pedagogicamente”, afirmou.

Para o antigo chefe de Estado, é importante que os jovens saibam que “as democracias se constroem com imensa dificuldade, mas que se destroem com muita facilidade”.

“E lembrar, sobretudo, que a liberdade não é algo que se possui, é algo que se conquista todos os dias, com uma participação ativa, com uma sociedade civil que é responsável e não desiste”, afirmou.

Questionado sobre o que achou do livro “Memórias” de Francisco Pinto Balsemão, recentemente editado pela Porto Editora, foi a mulher do antigo Presidente da República, Manuela Eanes, que respondeu primeiro: “Ainda não lemos”.

“Não comento questões que se relacionam com os meus antecessores e sucessores”, afirmou Ramalho Eanes, perante a insistência dos jornalistas sobre o retrato traçado pelo fundador do PSD sobre o atual Presidente da República.

No livro, Balsemão refere-se a Marcelo comparando-o ao escorpião da fábula da rã e do escorpião – em que este morre afogado a atravessar um rio, porque não resistiu à tentação de dar uma ferroada mortal na rã, apesar de esta lhe dar uma boleia às costas – por montar “intrigas desnecessárias entre ministros e/ou secretários de Estado”, aproveitando “intervalos do Conselho de Ministros ou idas à casa de banho para ir dar notícias a jornalistas”.

Outro “balde de água fria de Marcelo”, ou “a maior traição” referida no livro por Balsemão foi quando os dois combinaram a saída do atual Presidente do Governo – era ministro para os Assuntos Parlamentares -, mas que só seria tornada pública depois das autárquicas de dezembro de 1982. No entanto, a notícia estava nos jornais no dia seguinte.

Apesar das divergências e relações tensas, logo na introdução das “Memórias”, o nome do ex-Presidente Ramalho Eanes surge, a par de Sá Carneiro, José Pedro Leite Pinto e Mário Soares, como uma das pessoas marcantes com quem Pinto Balsemão contactou.

No livro, o fundador do PSD conta o episódio dos gravadores no Palácio de Belém, em que eram gravadas, em duplicado, as conversas entre os dois, e que retrata a desconfiança de Eanes relativamente ao que era dito naquelas conversas. Balsemão até gracejou: “Para que é isto? Vamos fazer um programa de rádio?”.  (Ag.Lusa)

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