• Ter. Nov 24th, 2020

Devido à falta de equipamento e acesso à internet, priva alunos de aulas

A falta de equipamento e de acesso à internet não permite que alunos em isolamento profilático consigam acompanhar as aulas, denunciam duas instituições. Casos acumulam-se no Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto e no Alentejo

Há alunos de escolas públicas em isolamento profilático que estão privados de acompanhar as aulas por falta de equipamento e acesso à internet, denunciaram a Associação Todos pela Escola Pública (ATEP) e a Federação Nacional dos Professores (FENPROF).

Em comunicado, as duas instituições reportam a existência de vários casos em escolas e agrupamentos dos concelhos do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto e no Alentejo.

“No Agrupamento de Escolas António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, por exemplo, temos alunos em casa com dificuldade em acompanhar as aulas.

Online Website Builder

A internet nem sempre funciona e a carência de câmaras para todos os alunos que necessitam é gritante. As sessões por videoconferência são descontinuadas e os professores perdem cerca de 20 minutos de aula a tentar retomar as ligações”, denuncia Mariana Pereira, vice-presidente da ATEP.

Citada num comunicado, aquela responsável adianta ainda que, no Agrupamento de Escolas Gonçalves Zarco, em Matosinhos, “a inexistência de equipamentos necessários para dar resposta às videoconferências origina o recurso aos telemóveis pessoais de professores e alunos”.

Mariana Pereira denuncia ainda que no Agrupamento de Escolas do Viso, no Porto, as escolas não foram alvo de investimento por parte do Ministério, e os alunos ainda não receberam os prometidos equipamentos informáticos.

Os alunos que estão em casa fazem fichas de trabalho que os professores enviam por email, agravando-se a situação nas famílias que têm dificuldade em aceder ao email e à impressora. Em casos como este, que estão espalhados pelo país, é muito preocupante que haja alunos em casa desde o início do ano letivo, por fazerem parte dos grupos de risco, adianta.

Também o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, lamenta que, apesar de o primeiro-ministro ter afirmado em abril que as escolas abririam em setembro já devidamente equipadas, tal não tenha acontecido, apontando-se “para um número bem abaixo das necessidades imediatas para meados de novembro”.

O dirigente garante que há também problemas de conectividade e de falta de recursos nas escolas, tornando ainda mais complicada a gestão da sala de aula quando a turma tem alunos em regime presencial e não presencial.

“Um problema que poderia ter outra solução, caso o ministério constituísse bolsas com os docentes de risco, permitindo que desenvolvessem atividade em regime de teletrabalho com esses alunos”, aponta o secretário-geral da FENPROF.

Mário Nogueira sublinha que há, ainda, “situações de enorme desigualdade” decorrentes das próprias condições das famílias, onde por vezes impera a iliteracia digital.

As duas instituições revelam também que há professores com filhos isolados por motivos de Covid-19 sem direito a declaração do delegado de saúde que lhes permita ficar em casa, como aconteceu em Vila Viçosa ou Borba, no distrito de Évora.

Para a ATEP “é totalmente inaceitável que, mais de seis meses após anunciar o acesso universal dos alunos dos ensinos básico e secundário à Internet e a equipamentos informáticos, o Governo permita que estas situações aconteçam” e lamenta que a esta altura as escolas não tenham equipamentos e a capacidade da Internet suficiente.

Já a FENPROF recorda que também os professores foram “obrigados” a adquirir equipamento para trabalhar com os alunos e até para os seus filhos, despesa que devia ser elegível para efeitos de IRS, mas cujo esforço foi “ignorado” pelo Governo.

A Lusa tentou obter informações junto dos agrupamentos de escolas referidos pela ATEP e pela FENPROF, bem como da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) e da Direção Regional de Educação do Norte (DREN), mas até ao momento sem sucesso.

Em Portugal, morreram 2.590 pessoas dos 146.847 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde. (Ag.Lusa)

Facebook Comments
Açores voltam a integrar o TOP 100 dos destinos mundiais mais sustentáveis

Os Açores voltam este ano a integrar a lista de 100 destinos sustentáveis mais sustentáveis, ranking elaborado pela organização internacional Green Destinations, que distingue boas práticas na área, anunciou esta Read more

Governo determina para “progressividade” no regresso de público aos estádios

O regresso aos estádios de futebol continua interditado, devido à pandemia de CoronaVirus, com o secretário de Estado da Juventude e Desporto a admitir hoje a possibilidade de um retorno Read more

CoronaVírus: Portugal Continental em situação de contingência

O regime da situação de contingência que vigorava apenas na Área Metropolitana de Lisboa passou, a partir de hoje, a aplicar-se a todo o continente e vai prolongar-se até às Read more

Segundo a Grécia, Portugal é um dos países mais afetados pela pandemia

As fronteiras gregas reabrem no dia 15, mas foi divulgada uma lista de nacionalidades que estão proibidas de fazer turismo no país. Atenas excluiu os países europeus mais afectados pela Read more

Show Buttons
Hide Buttons