• Ter. Out 27th, 2020

Pedrógão Grande: Irregularidades podem afetar “generosidade do povo português”

A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) manifestou “muito receio” sobre suspeitas de irregularidades nos apoios aos incêndios em Pedrógão Grande que prejudiquem no futuro a generosidade do povo português, classificando como “imensos” os danos reputacionais negativos.

Numa audição na comissão eventual de inquérito parlamentar à atuação do Estado na atribuição de apoios na sequência dos incêndios de 2017 na zona do Pinhal Interior, o presidente da CVP, Francisco George, disse que foi preciso descobrir uma nova maneira de intervir no plano humanitário, através do ‘site’ da transparência da organização humanitária, com um novo conceito que consta todas as operações e com um revisor oficial de contas independente.

“Os especialistas em comunicação diziam-me, constantemente, que não devia falar de Pedrógão e eu achava que era preciso dizer que Pedrógão foi também uma fonte de inspiração, de correção, porque é verdade que as coisas não terão andado todas bem, mas é porque não tínhamos meios para tal”.

“Portugal, a administração pública, a governação, devia ter percebido que os órgãos autárquicos aquele nível não podiam ter tamanha responsabilidade”, avançou o presidente da CVP, referindo às suspeitas de irregularidades na reconstrução das casas.

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Em resposta aos deputados, Francisco George reconheceu que “os danos reputacionais negativos foram imensos e foi preciso, um ano depois, descobrir uma nova maneira de intervir no plano humanitário“, solução que foi implementada pela Cruz Vermelha aquando o ciclone Idai na cidade da Beira, em Moçambique, registado em março de 2019.

O novo modelo inclui “receber, dar garantias e dizer para onde foi aplicado a verba que foi doada e entregar no fim a obra”, explicou.

“Introduzimos um novo conceito que é: estas operações têm de ter um revisor oficial de contas independente”, adiantou o presidente da CVP, defendendo a importância deste tipo de missões serem acompanhadas no plano da transparência, em que “tudo consta nas operações feitas, incluindo cheques bancários, no ‘site’ da transparência”.

Na perspetiva do representante da Cruz Vermelha, é preciso voltar a dar confiança aos portugueses para que continuem os atos de generosidade, através da transparência da contabilidade em prestação de contas a todo o tempo e de um revisor oficial de contas independente, com caracter obrigatório.

“Tenho muito receio que as questões ligadas a Pedrógão tenham tido um efeito negativo na opinião publica e poderem prejudicar o futuro em termos da generosidade do nosso povo”, admitiu Francisco George, considerando que “há jornalismo que prejudica a atividade humanitária”.

Lembrando que a atividade humanitária vive sobretudo da generosidade, o presidente da CVP revelou que orçamento da associação é 60 milhões de euros por ano, dos quais “só 1,4 milhões de euros é que são subsídios do Estado”.

No âmbito da audição parlamentar, Francisco George desafiou os deputados a trabalharem numa proposta legislativa, “no sentido de ultrapassar desconfianças”, através da divulgação das operações de uma conta de donativos para determinado fim humanitário, publicada no ‘síte’ da transparência, e com a obrigatoriedade de um revisor oficial de contas independente.

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 em Escalos Fundeiros, no concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou depois a municípios vizinhos, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, e destruiu cerca de 500 casas, 261 das quais eram habitações permanentes, e 50 empresas. (Ag.Lusa)

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