Saída limpa de Portugal do programa de ajustamento

Saída limpa de Portugal do programa de ajustamento, comunicado por Pedro Passos Coelho em São Bento. Como também é de salientar, os nossos parceiros do Norte da Europa não são adeptos de um novo esforço de financiamento a Portugal.

Aquilo que importa relevar é a convergência, naquilo que é essencial, entre o primeiro-ministro e o líder do maior partido da oposição: que o fim do programa de ajustamento sem recurso a uma linha cautelar “é bom para Portugal” e que a grande prioridade dos próximos tempos tem de ser a recuperação da economia e a criação de emprego, sem descurar a saúde das contas públicas nacionais.

A diferença está, naturalmente, no diagnóstico que cada um faz sobre o estado do País – isto é, das pessoas – findo o ajustamento.

Como é óbvio, esta é uma etapa positiva para o País. E embora seja criticável um certo tom triunfalista do primeiro-ministro, a verdade é que este desfecho é a confirmação plena de que Portugal não é a Grécia.

Basta, aliás, olhar para aquilo que são as taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos – 3,6% na passada sexta-feira – para concluir que a confiança dos mercados e dos investidores em Portugal voltou aos melhores dias de 2005.

Nesse sentido, a sintonia naquilo que é essencial entre Governo e PS é, também, uma boa notícia para os nossos parceiros porque ajuda no processo de credibilização do País.

É evidente, e Passos Coelho reconheceu-o, que estamos agora a iniciar uma nova etapa na recuperação do País.
Os portugueses, fustigados pelos sacrifícios que não terminaram, não sentem ainda, no seu dia-a-dia, que estes têm valido a pena e, por mais que os indicadores macroeconómicos deem sinais positivos, esses sinais ainda não se sentem nos orçamentos familiares.

Mas esse é um dos desafios que o Governo tem agora pela frente. Mas não é o único.

Passos Coelho está agora mais exposto do que nunca à crítica. A partir de 17 de maio deixa de ter o álibi da troika, mesmo que saibamos que a vigilância dos credores vai continuar, mesmo que mitigada.

Uma das batalhas mais importantes é controlar e saldar da dívida. Parece absolutamente claro que, a prazo, a Europa no seu conjunto vai ter de encontrar uma solução, entre as que estão em cima da mesa, para permitir um maior desafogo no pagamento das dívidas dos Estados membros.

E o outro grande combate que é preciso travar é o da reforma do Estado, ou seja, aquele que permitirá que a consolidação das contas públicas se faça mais do lado da despesa, aliviando a carga fiscal sobre os trabalhadores, os pensionistas e as empresas. (DN)


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