• Sáb. Out 1st, 2022

Cérebro sabe analisar a diferença entre o mundo real e o virtual

cerebro

O cérebro responde da mesma forma num ambiente de mundo real e no de realidade virtual, apesar de perceber que está numa realidade distinta, informação divulgada num estudo realizado nos Estados Unidos. Estas conclusões foram explicadas à agência de notícias espanhola EFE por Luís Martínez, neurobiologista do Centro Superior de Investigações Científicas (CSIC – Espanha), após finalizar a análise de uma experiência com ratos que mudou as conclusões sobre os efeitos da realidade virtual na perceção biológica.

Até há alguns meses, os especialistas pensavam que o impacto da experiência virtual era exatamente o mesmo que o da realidade e que as pessoas atuavam da mesma maneira nos dois casos.

No entanto, segundo Martínez, a experiência levada a cabo recentemente por Mayank Mehta, na Universidade de Los Angeles (Estados Unidos), possibilitou uma nova abordagem.

Esta experiência foi realizada com ratos de laboratório para comparar o seu comportamento ao percorrer por dois labirintos idênticos, um natural e outro virtual.

Os resultados evidenciaram que a atividade no hipocampo dos ratos, a parte do cérebro que controla a memória, variou durante a experiência, já que os ratos criaram mapas cognitivos para correr o labirinto real, mas no labirinto virtual estes campos não existiram.

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“É muito interessante, porque os animais perceberam que não estavam num ambiente natural e, portanto, as suas células cerebrais que codificavam o mapa cognitivo espacial passaram a codificar o tempo de navegação, como se a única variável relevante no ambiente virtual fosse o tempo empregado e não o espaço a percorrer”, disse Martínez.

Este foi o primeiro artigo científico que demonstra uma diferença de comportamento entre um ambiente virtual e um natural, mas Martínez acrescentou que ainda é cedo para conhecer qual é o mecanismo pelo qual o cérebro consegue distinguir as duas realidades.

Sobre as sensações provocadas num indivíduo, Martínez assegurou que se pode chegar a sentir com uma “intensidade similar” à experimentada no mundo real, mas em todo o momento os sujeitos estão “conscientes de que vivem numa realidade virtual”.

O especialista do CSIC assegurou que, dentro de alguns anos, os dispositivos da realidade virtual terão uma evolução que proporcionarão “experiências realmente ricas e satisfatórias”, que serão aplicadas cada vez mais na vida quotidiana. (Ag.Lusa)

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