Investigadores criaram algoritmo para valorizar opiniões minoritárias

Investigadores da Universidade de Princeton, Estados Unidos, criaram um algoritmo para encontrar a informação mais correta entre as opiniões manifestadas por um grande número de pessoas, informação que não faz necessáriamente parte da posição maioritária.

A opinião da maioria é normalmente valorizada, em sondagens e eleições por exemplo, mas de acordo com os investigadores tende a favorecer a informação mais popular e não necessariamente a mais correta.

Um estudo publicado hoje pela universidade sugere que a “ignorância das massas” pode cancelar o conhecimento de uma minoria com informação especializada sobre determinada matéria, levando a que respostas erradas se tornem as mais aceites.

Para dar mais peso à informação correta, que pode não ser a mais conhecida, investigadores da Universidade e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram o que chamaram o algoritmo “surpreendentemente popular”.

Para o desenvolvimento do algoritmo, os cientistas fizeram um estudo em que perguntaram às pessoas duas coisas sobre uma mesma questão: qual a resposta que consideram a correta, e qual a resposta que consideram mais popular, a que terá mais apoio.

A resposta correta será aquela que for mais popular do que o que as pessoas previram, segundo os investigadores. A técnica, disseram, poderá aperfeiçoar inquéritos de opinião pública, avaliação de preços no mercado da arte ou classificação de propostas de pesquisa científica.

Os investigadores testaram o algoritmo em diversas pesquisas e com várias populações. Um dos testes consistiu em perguntar (numa resposta de sim ou não) se Filadélfia era a capital da Pensilvânia, e depois pedir uma previsão para a prevalência de votos “sim”.

A maior parte das pessoas respondeu ” sim” (mas estava errado porque a capital do estado norte-americano é Harrisburg), e também previu que uma alta percentagem das pessoas iriam responder “sim”.

No entanto, alguns dos entrevistados sabiam que a resposta correta era “não”. Mas essas pessoas também previram que muita gente iria responder incorretamente “sim”, pelo que esperavam uma grande percentagem de respostas “sim”.

No entanto, enquanto a grande maioria previa que os outros respondessem “sim”, a percentagem real foi muito menor e o “não” foi a resposta ‘surpreendentemente popular’.

Sebastian Seung, professor de neurociências da Universidade de Princeton, disse que o método do “surpreendentemente popular” continua a ser democrático, porque não há expectativas de quem tem informação especializada, apenas se sabe que a informação existe.

“O método é elitista no sentido de que tenta identificar os que têm conhecimento especializado. No entanto é democrático no sentido de que qualquer um pode ser potencialmente identificado como especialista. O método não olha para os graus académicos de ninguém”, disse.

Em todos os testes (capitais de estados, cultura geral, diagnósticos médicos ou estimativas de leilões de arte) os pesquisadores descobriram que o algoritmo “surpreendentemente popular” reduziu os erros em 21,3 % comparando com a maioria simples dos votos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.