Portugal deve receber mais dinheiro da Europa para ciência

O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, defendeu a necessidade de Portugal inverter o facto de contribuir com mais dinheiro para o sistema científico europeu do aquele que depois consegue ir buscar à Europa.

Poiares Maduro falava aos jornalistas na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte no final da assinatura do memorando de entendimento entre as universidades do Porto, do Minho e de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde reiterou que “o Governo no quadro do próximo ciclo de fundos europeus irá apoiar fortemente esse tipo de projetos de internacionalização e de excelência” das universidades.

“Como o ministro da Ciência e Educação tem dito, nós temos tido um desenvolvimento positivo do nosso sistema científico nos últimos anos mas ele ainda é insuficiente e em matéria de excelência nós não temos conseguido concorrer a nível europeu com as universidades, com os centros de investigação europeus da forma que deveríamos”, sublinhou.

Por isso, e de acordo com o ministro, Portugal tem contribuído “com mais dinheiro para o sistema científico europeu” do que aquele que tem “conseguido ir buscar à Europa”, situação que é preciso “inverter”.

“E por isso mesmo é que esta aposta na excelência em certos setores, esta aposta não tanto nos grandes números mas na concentração de conhecimento, na concentração de massa crítica, na internacionalização das nossas universidades e do nosso sistema científico é fundamental”, justificou.

No discurso depois da assinatura deste memorando, o reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos alertou para as dificuldades resultantes do excesso de burocracia, tendo Poiares Maduro respondido aos jornalistas que na programação do Portugal 2020, o Governo está “a fazer um esforço muito grande em matéria de simplificação”.

“Portugal tem uma ótima reputação a nível europeu em matéria de administração e gestão dois fundos. Somos o Estado com melhor execução de fundos europeus, somos um dos dois únicos estados-membros que têm contrato de confiança com a Comissão Europeia, somos o único estado-membro que nunca teve de devolver verbas”, enumerou.

No entanto, e de acordo com o governante, “o outro lado desta moeda é que às vezes há uma burocracia em excesso em matéria de fundos europeus”.

“Isso tem também uma consequência extremamente prejudicial que é naturalmente onde há mais burocracia, há mais custos de informação, mais complexidade, há maior dificuldade de acesso por um maior leque de pessoas. E é isso mesmo que nós pretendemos mudar no próximo Portugal 2020”, disse, acrescentando que há um grupo de trabalho apostado nesta simplificação.

Poiares Maduro considerou “notável” o memorando de entendimento assinado pelas universidades da região norte, através do qual se vai delinear uma estratégia comum para aceder a fundos comunitários, o desenvolvimento de projetos de investigação ou a circulação de estudantes.

“No âmbito dos próximos programas operacionais, as universidades irão ter um potencial de acesso a fundos ainda mais alargados, porque irão ter potencial de acesso a fundos também no domínio da competitividade e internacionalização”, antecipou.

Para dar a dimensão dos valores, o ministro da tutela recordou que Portugal tem 80 milhões de euros no Horizonte 2020 e para todas as áreas do Portugal 2020 há 25 mil milhões de euros. (Ag.Lusa)


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